E se o mundo fosse vegetariano?
- Melissa Lopes

- 30 de nov. de 2023
- 4 min de leitura
Alguns deixam de consumir a proteína animal por ética, outros buscam um estilo de
vida mais saudável, enquanto a grande maioria luta pelo amor aos animais. Mas,
como essa ação muda o mundo e o bem-estar?
Por: Melissa Lopes
Crédito: Criador de imagens do Bing.

Se todos adotassem o vegetarianismo até 2050, teríamos 7 milhões a menos de mortes por ano.
Se a nova trend fosse o não consumo de carne, nossos campos seriam mais verdes, haveria mais conexão com a natureza e, consequentemente, seríamos mais felizes. É bem difícil de imaginar, mas está logo ali: talvez, precisemos só de mais uns 500 anos.
O número pode ser um pouco assustador, afinal, apenas nossos tataranetos conseguirão desfrutar completamente de benefícios em escala global. Mas, se hoje você decidir parar de comer carne, pode ser contemplado com uma qualidade de vida bem superior. “Falando em benefícios para a saúde ao não consumir carne, a gente diminui o risco associado principalmente a doenças crônicas. Hoje, na prática clínica, a gente já vê resultados maravilhosos, principalmente em relação a controle de peso. Com isso, a gente diminui o risco de alterações de gordura no sangue, melhora a resposta à insulina e consegue controlar o diabetes”. Comenta Carol Silva, 35, especialista em nutrição vegetariana pela Universidade São Judas Tadeu.
O caminho até o vegetarianismo
Independente do motivo, crença ou motivação: realizar a transição para o vegetarianismo é um desafio. Quando questionada sobre a adaptação a uma rotina sem carne, Alicia Botion, nutricionista com foco em vegetarianismo e formada pela USP, comenta, “do ponto de vista nutricional não temos grandes desafios, mas pode haver prejuízo emocional. Por que culturalmente a gente consome carne, né? Inclusive tem muita relação com o status”.
| O mundo consome mais carne do que o necessário. Pare apenas um dia para observar a quantidade de proteína animal que você coloca em seu prato, e com apenas uma pesquisa, irá perceber que é muito mais do que o necessário para a “boa saúde”. E sim, entre aspas, pois a carne não é essencial para uma saúde de ferro. |
Uma comparação válida é quando decidimos fazer uma dieta restritiva de açúcar, por exemplo. Os primeiros dias são de adaptação, podem haver algumas tentações, alterações psicológicas - como o estresse -, mas se não for gradual, o risco de um consumo compulsório quando encerrada essa dieta é muito provável. Para que isso não aconteça, Alicia comenta sobre alguns métodos eficazes relacionados a transição alimentar: “A porta de entrada pode ser a segunda sem carne. Você escolhe um dia para ficar sem a proteína animal a ver com se sente, se gosta ou não. Outra opção é tirar [a carne] em algumas refeições, comer um prato vegetariano no almoço para exercitar a ideia. Ou você pode escolher três dias semana para comer carne.” Ela ainda complementa, “A ideia é não escolher métodos que não sejam muito bruscos e muito radicais para essa galera que está começando”.
“Em dia sem carne, você poupa 11kg de CO2 emitidos na atmosfera e 60 litros de água.”
Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB)
Além disso, a sociedade de cardiologia do estado de São Paulo (SOFESP) recomenda que as pessoas façam pelo menos uma refeição sem carne na semana. E por mais que pareça pouco, se a grande maioria da população dispensasse a carne, a redução impacta diretamente no nosso futuro.
Em um mundo sem carne, nós...
Seriamos mais felizes. Essa foi a conclusão semelhante de Alicia e Carol em relação ao um futuro sem consumo de proteína animal. Felizes ao imaginar esse mundo até então utópico, mas desacreditadas de que esse feito se realizará.
“Eu acho que ele [o mundo] seria perfeito. Seria muito positivo em termos de saúde, de qualidade de vida. A gente teria outra relação com a comida, mais tranquila talvez. Acredito que a parte mais legal, a meu ver, seria a quebra de todas as indústrias da carne. Além disso, a terra seria usada para produzir mais alimentos naturais.” diz Alicia.
Já a Carol apresenta uma visão semelhante, “Viveríamos com muito mais tranquilidade, sabendo que a gente teria menor risco de exposição à poluição [...] a área verde aumentaria, o aumento da qualidade de saúde emocional seria muito maior, porque o contato com a natureza diminui a produção de cortisol, que melhora a produção de hormônios do prazer.”
Créditos: Carol Silva

Além disso, comentários sobre a conexão que criaríamos com os animais foi pauta para ambas as discussões. Isso porque, gatos e cachorros são animais domésticos presentes no convívio, mas, se o consumo de carne fosse inexistente, aprenderíamos a conviver com os animais que, hoje, são encontrados em nosso prato. E falando em prato...
"Nossos alimentos seriam melhores. Pensando que a gente teria um espaço que hoje é para pasto, a gente poderia plantar a própria comida. Imagina pegar sua comida ali do seu quintal fresquinha sem agrotóxico nenhum? Então, acho que seria o mundo perfeito.” finaliza Carol.
A alimentação no mundo vegetariano
Rebatendo diversos pensamentos, o mundo vegetariano é muito mais vasto do que se imagina - sendo muito provável que a diversidade seja maior do que na alimentação carnívora. Mas, não podemos ignorar que proteína é essencial para o bem-estar geral e deve ser “reposta” no cotidiano.
Para isso, Carol recomenda alguns alimentos ricos nesse nutriente. “De uma forma geral, as principais fontes de proteína vem dos grãos e leguminosas, que devem ser consumidas todos os dias. Então todos os tipos de feijões, soja, lentilha e grão-de-bico. Os alimentos integrais também tem uma quantidade significativa de proteína. E algumas oleaginosas, que são nuts como castanhas, semente de girassol, gergelim, contribuem em menor escala.”
Também considerado um método de transição eficaz - e muito saboroso - é recomendada a preparação das suas refeições favoritas, mas com substituições. Se você gosta de Strogonoff, que tal trocar o frango por grão-de-bico? E se o hambúrguer artesanal for seu forte, uma opção de preparo é utilizar brócolis e couve-flor, ao invés de carne.
Se adaptando a mudanças como essas, não é necessário que, do dia para noite, o mundo inteiro adote o vegetarianismo para garantirmos um mundo melhor. Basta começar por você.




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