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O estilo de vida e a dieta vegana: uma alternativa para o futuro

  • Foto do escritor: Felipe Grande
    Felipe Grande
  • 30 de nov. de 2023
  • 6 min de leitura

Uma pesquisa realizada na Oxford e publicada na revista Nature Food em 2023 aponta que as dietas veganas podem reduzir em até 75% a emissão de gases do efeito estufa, se comparada com dietas com base na proteína animal

Por Felipe Grande



Muito se fala sobre as escolhas que levam pessoas a adotarem o veganismo. Às vezes um documentário, como o tão conhecido e disseminado documentário dirigido por Kip Andersen, Cowspiracy, disponível no streaming na Netflix, é o suficiente para que haja uma virada de chave no pensamento de quem se importa com a causa animal.

Em Cowspiracy, a agropecuária, especialmente a criação de gado em alta escala, é apresentada aos espectadores como uma das maiores responsáveis pelo esgotamento dos recursos naturais do mundo.


“Eu não digo que todo mundo tem que ser vegano, sabe? É um radicalismo pensar assim, mas tomando escolhas mais conscientes, mudando algumas coisas na nossa alimentação já vai gerar um impacto tão positivo no que a gente vive hoje. E é nisso que eu acredito.”

Lyvia Rodrigues.


Diminuir a violência e os maus tratos aos animais que são criados apenas e exclusivamente para o abate é sim uma grande preocupação do veganismo, mas não para por aí. Lyvia Rodrigues, de 44 anos, é empreendedora e dona do único restaurante voltado para veganos e vegetarianos de São Roque, a Casa Isis, no interior de São Paulo, e comentou um pouco do que foi essa virada de chave para que ela se tornasse vegetariana.


Foto por: Felipe Grande

Além de um espaço voltado para a alimentação vegana e vegetariana, a Casa Isis também promove o comércio de itens feitos por produtores locais, como os bichinhos de tricô “feitos com amor”


“Eu consumia carne, mas comecei a frequentar o yoga, fazer meditação, e lá a maioria das pessoas já eram vegetarianas ou veganas e falavam muito da influência da alimentação no nosso corpo emocional, mental e no físico também. O que realmente determinou a minha escolha foi um documentário chamado A Carne é Fraca”.


Foto: Arquivo pessoal

A Casa Isis é o único restaurante para o público vegano e vegetariano de São Roque, mas é muito frequentado por pessoas que desejam experimentar e diminuir o consumo da carne


Assim como Cowspiracy, A Carne é Fraca, documentário brasileiro de 2005, dirigido por Denise Gonçalves, explora e desenvolve as questões envolvendo o consumo de carne para a saúde humana, para os animais e, é claro, para o meio ambiente.


A preocupação ambiental é algo que está presente no imaginário de muitas pessoas, mas grande parte delas nem sabe por onde começar a ter um estilo de vida mais sustentável e ecoeficiente. A resposta pode não ser definitiva, mas um dos grandes resultados do veganismo é também contribuir para diminuir a emissão de gases de efeito estufa e a exploração de recursos naturais desenfreada feita pela agropecuária.


De acordo com Patrícia Pessoa, doutora em Bioquímica pela USP e professora do componente curricular “Conservação de Recursos Naturais” no Instituto Federal de São Paulo, Campus São Roque, “Já existem muitas pessoas que procuram um estilo de vida sustentável olhando, por exemplo, para o consumo de frutas e legumes da estação, que é uma forma de consumir que impacta menos no sentido de agricultura, já que assim não é necessário trabalhar e esgotar o solo a qualquer custo, ignorando aspectos climáticos e ambientais”.


Além das monoculturas e do esgotamento do solo através do plantio e consumo exagerado dos recursos naturais e uso completamente inviável de agrotóxicos e venenos, a agropecuária envolve também, é claro, a criação de gado para o abate. Estes casos são ainda mais preocupantes quando se olha para os dados dos impactos causados por essa prática.


Estas são apenas algumas informações sobre a agropecuária, que podem assustar a muitas pessoas, mas não a todas. A falta de educação ambiental é também abordada pela professora com uma certa preocupação na voz. Ela conta que “enquanto nós não tivermos investimento na base, que é a educação, não conseguimos discutir outras questões”.

Voltando para a Casa Isis, Lyvia divide da mesma opinião de Patrícia: a educação é um dos pilares para o desenvolvimento sustentável. E é isso que ela tenta passar em seu restaurante, além de ser um espaço para os já veganos e vegetarianos, o espaço é frequentado também por quem ainda não faz parte desses grupos, mas tem curiosidade e vontade de deixar a carne de lado.


Mesmo que muito popular, não é com tanta frequência que é possível ver estilos de vida como o veganismo serem divulgados em todos os lugares, até porque a agropecuária é a principal indústria do Brasil, correspondendo a uma fatia 27,4% de todo o PIB do país em 2021, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP). A exportação e transporte destes produtos também é uma preocupação, já que são feitas através dos meios rodoviários, grandes responsáveis pela geração de carbono no mundo todo.


“Se a gente olhar para a história do planeta, veremos que em momentos nós tivemos a Terra mais quente, congelada, mas isso em um espaço de tempo muito grande, milhões de anos. O que vemos hoje são alterações climáticas drásticas em um curto espaço de tempo, até no mesmo dia. Então, eu acho que se repensarmos o nosso modo de emissão de carbono, pode ser que as mudanças não sejam tão catastróficas”.

Patrícia Pessoa.



Tá, mas e o veganismo?

Diferentes tipos de dietas veganas e vegetarianas


Ovolactovegetariano: Quem consome ovos e lácteos, mas não come carnes

Ovovegetariano: Os únicos alimentos de origem animal consumidos são os ovos

Pescetariano: Que ainda consomem peixes

Lactovegetarianos: Consomem apenas lácteos, mas nada de carnes

Flexetarianos: Pessoas que tentam diminuir o consumo de alimentos de origem animal durante a semana

Vegetarianos estritos: Pessoas que não consomem nenhum alimento de origem animal

Veganos: Pessoas que não consomem nada de origem animal na alimentação e em todas as outras áreas da vida


O veganismo surge aqui como uma das propostas possíveis para uma vida mais sustentável. Respeitando a causa animal e tudo que ela representa, o lado ambiental também é muito importante e extremamente válido para quem se preocupa com a saúde do planeta e deseja fazer a sua parte.


Além do consumo zero de animais e derivados, como leite e queijo, o veganismo se espalha para todos os âmbitos da vida, desde a moda, cosméticos, até a própria dieta. De acordo com a nutricionista Fabiana Hasimoto, de 26 anos, formada pela Unesp, “Quando as pessoas optam pelo veganismo, elas estão tirando uma parte da alimentação que contribui muito para a poluição, não só do ar, mas da água e do solo também, que é a produção de alimentos de origem animal”.


É claro que transicionar de uma vida com carnes e outros produtos derivados dos animais para uma sem nada disso é um processo longo, demorado e árduo. Por isso, fazer acompanhamento com uma nutricionista faz-se essencial, já que é ela quem vai guiar e mostrar os caminhos possíveis para uma transição saudável.


Foto: Arquivo pessoal

Para tranquilizar quem está passando pela transição para uma dieta sem carne, Fabiana conta que a sua experiência foi tranquila, e que as pessoas ao redor dela, em geral, demonstravam apoio


“As pessoas costumam pensar a carne como um alimento primordial na alimentação, que você precisa comer proteína da carne, mas não é bem assim. A carne não é só proteína, ela é basicamente proteína e gorduras saturadas, que podem causar várias questões no corpo, como doenças cardiovasculares e até mesmo diabetes”.

Fabiana Hasimoto


De acordo ainda com Hasimoto, uma alimentação vegana consegue suprir todas as necessidades proteicas, com exceção de algumas pessoas e casos especiais que podem precisar de suplementação, além do consumo da proteína de origem animal. “A gente não precisa consumir toda hora leite de vaca, manteiga, creme de leite, e afins. Eu penso que as pessoas estão mais abertas a experimentar opções de origem vegetal”.



Afinal, o veganismo pode ser uma alternativa para o estilo de vida no futuro?

A produção de carnes em larga escala como é praticada pela indústria nos dias atuais precisam de grandes áreas de pastagem, e onde é que as empresas da agropecuária encontram essas grandes áreas? Nas florestas. Estas que são parte importantíssima no ciclo do carbono e na purificação do ar necessário para a vida humana.


Em trinta ou mais anos, o cenário não é o mais animador se a humanidade se manter no mesmo rumo, dando espaço para a agropecuária e a indústria da carne continuar praticando tudo que já foi explanado ao longo do texto. A diminuição da biodiversidade, o desmatamento desenfreado, o esgotamento do solo e outros recursos naturais são apenas alguns dos impactos ambientais causados pelas práticas dessas grandes indústrias.


Claro que toda essa produção é feita por uma razão: suprir os padrões de consumo da sociedade atual, e é por aí que a mudança deve começar. Um dos benefícios do veganismo é adotar um baixo consumo de produtos processados e originados de grandes produções animais, e a opção de consumir mais orgânicos e produções locais, o que fortalece a economia da região.


Foto: Felipe Grande

O comércio local de produtos veganos e orgânicos é algo de muita importância para cobrir um dos pilares da sustentabilidade: a economia


Acabar com a exploração animal no mundo, fortalecer o consumo de produtos, cosméticos, alimentos, roupas veganas e orgânicas, de produtores locais. a moda "rotativa", são alguns dos impactos positivos do veganismo nos dias das pessoas. Pequenas ações e a educação são peças-chave para se ter um futuro possível, uma mitigação de todos os efeitos negativos causados pelas grandes indústrias e, especialmente, pela agropecuária.



Receitas veganas para preparar em casa!


Pudim de chia


Lasanha de abobrinha


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