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Carros elétricos e a alternativa para um futuro com menos gases poluentes

  • Foto do escritor: Camila Alves
    Camila Alves
  • 30 de nov. de 2023
  • 5 min de leitura

Eles provam que podem ser mais econômicos e eficazes — além de bem menos

danosos ao meio ambiente — do que os automóveis comuns

Por: Camila Alves


VOLVO XC40 Recharge, completamente elétrico, comercializado na cidade de Sorocaba.

Foto: Camila Alves


O aquecimento global, processo de aumento da temperatura do globo terrestre

ocasionado pela emissão de gases poluentes, e o surgimento de um novo termo, a

ebulição global, que indica o seu agravamento, têm lançado holofotes sobre dois

veículos ainda não muito populares entre os motoristas brasileiros: os elétricos e

híbridos.


Isso porque, diferente dos carros convencionais, que emitem muitos gases

prejudiciais ao meio ambiente, como o monóxido de carbono (CO), os carros

elétricos e híbridos possuem motores movidos completa ou parcialmente à energia.


De acordo com um estudo da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos

Automotores (Anfavea), esses carros ainda representam menos de 1% das vendas

no mercado de veículos leves no Brasil e, essa baixa porcentagem tem ligação

direta com, principalmente, o valor elevado deste tipo de automóvel no nosso país.


Segundo Gilmar Corrêa, 30, engenheiro mecânico com especialização em carros

elétricos e híbridos, o valor de produção de um veículo como esse é elevado. Além

disso, o engenheiro diz que, no nosso país, há poucos incentivos e investimentos do

poder público, e da própria cadeia automotiva, para que veículos elétricos se tornem

mais populares. “ O poder público não estimula a compra desse tipo de carro. Há

certos incentivos para quem compra, como a isenção do IPVA, em alguns estados,

mas ainda é muito pouco, porque são veículos caros.”, conclui Gilmar.


Além disso, há outros obstáculos quanto à obtenção dos carros elétricos em

território brasileiro como, por exemplo, a carência de postos de recarga. Na cidade

de Sorocaba, atualmente, existem, aproximadamente, dez pontos de abastecimento

para carros elétricos. Esses postos, no entanto, não estão espalhados por todas as

regiões da cidade. O mesmo acontece em nível nacional. Há poucos locais que

realizam a recarga tornando, muitas vezes, viagens longas e grandes distâncias,

inviáveis ao motorista.


Conforme projeções da Anfavea e da ABVE ( Associação Brasileira do Veículo

Elétrico) o Brasil pode chegar a 2035 com 22% das vendas no modelo eletrificado

(que engloba carros elétricos e híbridos) , um cenário futuro apontado como

importante para reduzir a poluição ocasionada pela indústria de transportes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), somente aqui, o problema

envolvendo gases tóxicos é responsável pela morte de mais de 50 mil pessoas por

ano. Hoje, metade das emissões desses poluentes vem dos carros comuns,

movidos a combustão de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, gás natural, entre

outros) , apontam os dados.


Para Gilmar, a realidade de uma frota com mais carros elétricos ainda é um pouco

distante. O engenheiro, que já construiu o seu próprio carro elétrico durante seu

TCC ( Trabalho de Conclusão de Curso), considera o Brasil ainda pouco

desenvolvido nesse sentido. “ A mobilidade urbana acaba ficando em segundo

plano. O cidadão, de forma geral, tem um carro para se locomover e trabalhar no dia

a dia, e é isso que importa para ele. A preocupação com o meio ambiente e

questões sustentáveis acabam não sendo prioridade, ainda mais quando depende

de um grande investimento financeiro”, completou.



Gilmar Corrêa construiu seu próprio carro elétrico. Foto: Arquivo pessoal


Não restam dúvidas que fontes renováveis de energia são melhores para o planeta

do que os combustíveis fósseis. Mas há outras questões envolvendo os veículos

elétricos que merecem atenção, como sua cadeia de produção e o descarte de

bateria e outros componentes. Afinal, será que eles não são responsáveis por

nenhuma emissão de carbono ao longo de sua vida útil? Será que um carro elétrico

é melhor do que qualquer outro tipo de veículo?


Descarte de bateria e eletrônicos


Segundo especialistas, a bateria e os itens eletrônicos dos carros elétricos são os

componentes com maior potencial de poluição. Por isso, a destinação desses

materiais tem gerado preocupação entre ambientalistas. Na maioria das vezes, os

elétricos recebem uma bateria de lítio, que tem vida útil de aproximadamente dez

anos. Para Rafaela Sayuri, Engenheira Química formada pela UFMS ( Universidade

Federal do Mato Grosso do Sul), uma saída seria a reutilização desses materiais em

outras aplicações, como já ocorre em alguns países, com empresas que compram

baterias de lítio para reaproveitá-las em diferentes sistemas. Ainda assim, após

essa "segunda vida", ainda não há um destino certo para esse resíduo.


A fonte de energia


Ainda que não emita carbono, o desempenho ecológico dos carros elétricos

depende de outro fator — a fonte que gera a energia elétrica utilizada. É válido

salientar que o potencial de redução do impacto ambiental é maior quando a fonte

energética é renovável, como a solar e eólica. Como no Brasil a matriz energética é,

em grande parte, hidráulica, uma fonte relativamente limpa, o impacto ambiental da

geração de energia para os elétricos também seria menor. Outro fator importante a

ser ressaltado é que, carros híbridos, são alimentados por dois tipos de motores: a

combustão e elétricos.


Dessa forma, eles conseguem funcionar com combustíveis fósseis e, ainda, ter um propulsor elétrico. Sendo assim, segundo Gilmar, são carros que emitem monóxido de carbono e outros gases poluentes, mesmo que em menor quantidade. Para ele, esse tipo de carro é um dos mais viáveis. “Para mim, é o melhor dos dois mundos. Com os carros híbridos, você tem opção de escolha. Num país como o nosso, em que as facilidades para se ter um carro elétrico ainda não estão totalmente estabelecidas, o carro híbrido torna-se muito viável. Ele consegue aproveitar os pontos positivos dos diferentes tipos de motores, trazendo muitas vantagens ao motorista, como praticidade, conforto e autonomia, além de não ser um carro essencialmente a combustão, já reduzindo os danos ao meio ambiente”.



VOLVO C40 Recharge, completamente elétrico, sendo abastecido com energia elétrica. Foto: Camila Alves


Menos carbono no planeta


Os carros eletrificados, sejam eles completamente elétricos ou híbridos, produzem

pouco ou nenhum gás poluente ao meio ambiente e, só por esse motivo, já

apresentam um impacto ambiental menor que os convencionais.


Ao longo da vida útil de um carro elétrico, e considerando os gases emitidos durante

a sua produção, a emissão de carbono gerada é até 68% menor que a de veículos

movidos a combustão interna. O percentual faz parte de um levantamento do

Conselho Internacional de Transporte Limpo, divulgado no ano passado.


Diminuição de gastos no dia a dia


O custo para rodar, quando se trata de carros elétricos, também é um outro ponto

positivo desse tipo de veículo. Segundo a engenheira química Rafaela, o valor do

quilômetro rodado é mais barato para quem os dirige, já que completar a carga

desses veículos exige menos do que o necessário para encher o tanque de um

carro convencional. Um carro elétrico convencional, com uma autonomia de 632

quilômetros, por exemplo, demandaria R$ 84 em energia elétrica, calcula Rafaela.


Já para abastecer um veículo com a mesma autonomia, capaz de rodar 15

quilômetros por litro na estrada, ela calcula que seriam necessários R$ 232,

considerando a gasolina a R$ 6.


Além disso, segundo ela, caso a energia usada seja gerada por um sistema do

próprio consumidor (como placas solares instaladas em casa, por exemplo) o

cenário se mostra ainda mais promissor, acrescenta. "Quando se associa isso com

outra tecnologia, como a de fonte solar, a diminuição de custos é de mais de quatro

vezes", reforça.

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