Mudaram as estações ou nada mudou?
- Camila Alves

- 30 de nov. de 2023
- 2 min de leitura
“Mudaram as estações / Nada mudou / Mas eu sei que alguma coisa aconteceu / Tá tudo assim / Tão diferente”.
Por: Camila Alves
Sentada na varanda sob um calor de exatos 37°C, achei os versos de Renato Russo, que nos acostumamos a ouvir na voz de Cássia Eller, muito apropriados para o momento. Observo o céu, completamente escuro, e temo que uma nova tempestade venha pela frente.
Traumatizada pelo temporal que devastou a cidade na última semana, já me preparo para o pior. Fecho janelas, tranco portas e coloco meu cachorro, que sempre se apavora com ventos fortes, para dentro de casa. Observo, através das câmeras de segurança, objetos voando pela rua. O vento realmente estava forte.
Após algumas gotas d'água caírem, tudo muda. Em questão de minutos, a ventania havia passado. Agora, com o céu levemente nublado, diversos questionamentos surgem na minha mente. Como pode o tempo ter mudado tão rápido? Isso tudo estava previsto pela meteorologia? É normal fazer 37°C na primavera? O que, de fato, está acontecendo?
Segundo a previsão, por aqui, passaremos por uma queda brusca de 10°C até o final da semana. Poderei dormir sem ventiladores ou ar condicionado, mas, muito provavelmente, acompanhada de tosses e espirros que vêm junto com as mudanças repentinas de temperatura. Não há imunidade que aguente.
Sim, estamos em novembro. A sensação presente é de que, ao longo desse 2023, já passamos pelos mais extremos eventos climáticos, que vão desde um inverno não tão frio, tempestades em pleno mês de junho que devastaram cidades no sul do país e, agora, ondas de calor que beiram ao absurdo. Uma coisa podemos, certamente, afirmar: não é normal. O que esperar do futuro?
O aquecimento global, agora é chamado de ebulição global. Não se fala mais do que podemos fazer para evitá-lo, mas sim, dos dias contados para impedirmos que uma catástrofe aconteça. Não vejo grandes movimentações, nem manifestações nacionais. No máximo, textos em redes sociais e reclamações constantes do clima.
Logo chegará o momento de começarmos a falar daquela lista de desejos e de prioridades para o novo ciclo, que traçamos em todo início de ano e, para o próximo, gostaria que esse desarranjo climático fosse pauta relevante nos debates, nos alardes e nos “vamos para as ruas”.
Espero que Renato tenha errado ao escrever que “Nada vai conseguir mudar o que ficou”. Temo pelo futuro, temo pelas próximas gerações, mas creio na mudança.




Comentários