Professor ensina educação socioambiental para alunos de escola pública
- Laura Mazo

- 30 de nov. de 2023
- 2 min de leitura
A ação ocorre em Cotia e busca parceria para ser desenvolvida na região de Sorocaba
Por: Laura Mazo
“Nós entendemos que, quando percebemos, compreendemos e nos conectamos com a dinâmica da natureza, muitas lições podem ser aprendidas, fazendo da floresta, uma entidade educadora!”. Essas são as palavras de Vitor Hugo de Campos Fonseca, biólogo e professor no projeto A Floresta Encantada, que tem como proposta o fortalecimento da educação pública por meio da conservação da Mata Atlântica. A ação envolve encontros mensais com estudantes do 5º ano da Escola Municipal José Roberto Baraúna Filho, de Cotia, São Paulo.
Os encontros acontecem em um espaço da mata atlântica, ao lado da empresa apoiadora do projeto. Ela detém a responsabilidade pela conservação desta área e, para aliar os objetivos de conservação aos objetivos de fortalecimento da educação, A Floresta Encantada foi criada.
Os ensinamentos são feitos com diálogos, palestras e dinâmicas, para explicar sobre a natureza, seu funcionamento e sua importância, a partir de uma perspectiva lúdica. Além disso, a atividade também conta com um podcast, gravado durante os encontros mensais, que trazem, cada um deles, um ensinamento da floresta para reflexão.

As crianças aprendem práticas de cidadania, sustentabilidade e reconexão com a natureza. Foto: Arquivo pessoal
Vitor Hugo entende que não é fácil introduzir práticas ambientais às crianças, já que culturalmente barreiras contra a natureza são criadas, mesmo que despercebidas. “Desde a nossa infância moderna, aprendemos que a terra é suja, que o bicho pica, que é perigoso subir em árvore, que tomar chuva fica doente e, por isso, numa falsa ideia de segurança, preparamos os ambientes para as crianças ficarem seguras. Traduzindo: Longe da natureza!”, diz.
Apesar disso, educa os alunos justamente para quebrar paradigmas como este. “O contato com a natureza melhora todos os marcos mais importantes de uma infância saudável, como a imunidade, a memória, o sono, a capacidade de aprendizado, a sociabilidade, e as capacidades físicas. Também contribuiu significativamente para o bem-estar integral das crianças. As evidências apontam que os benefícios são mútuos: assim como as crianças e adolescentes precisam da natureza, a natureza também precisa delas”, conclui.
O professor busca parceiros na região de Sorocaba, para estimular a educação socioambiental com fomento empresarial, mas encontra empecilhos. “Nossa maior dificuldade é a penetração no setor empresarial para futuros patrocínios de projetos. Há quase nenhuma abertura, e, infelizmente, ainda há por parte das empresas lentidão na tratativa da questão socioambiental, tendo em vista o cenário de ebulição climática que estamos experimentando, sem muita ação global radical para contê-la”, comenta.
Vitor Hugo reforça a necessidade da ação. “Nosso objetivo é a formação de uma consciência pública da importância das florestas e outros ecossistemas naturais para a estabilidade do clima e a manutenção da vida no planeta. Daqui a 20 anos, quando estas crianças forem adultas, receberão de nossas mãos um planeta para habitar. Como será esse planeta? Como podemos fazer agora o que precisava ser feito por nossos pais 20 anos atrás?”

Os pilares da ação são: Educação para a sustentabilidade, protagonismo e juventude, conservação da Mata Atlântica e cidadania, sociedade e natureza. Foto: Arquivo pessoal
“Nosso papel é apenas traduzir estes ensinamentos intrínsecos ao funcionamento da natureza. O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos. O segundo melhor é agora!”, conclui Vitor Hugo.




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