“Consumo Consciente”: conheça o hábito que contribui para o futuro da alimentação sustentável
- Thamires Victoria

- 30 de nov. de 2023
- 5 min de leitura
Também chamado de “flexitarianismo”, proposta deste hábito é a diminuição do consumo de carnes em alguns dias da semana, para melhor impacto ambiental
Por Thamires Victória

Consumo Consciente sugere pratos com mais verduras, legumes e vegetais (Foto: Thamires Victória/Inteligência Artificial)
O consumo consciente, no âmbito alimentar, é a prática da diminuição do consumo de carnes para melhor impacto ambiental, de forma com que ninguém precise abrir mão de consumi-la.
Um estudo realizado por cientistas do departamento de sustentabilidade da Universidade de Oxford mostra que, além do meio ambiente, a redução também beneficia a saúde e até mesmo a economia.
Esta proposta de comer carne somente em alguns dias da semana também pode ser chamada de “flexitarianismo”, que passa a ideia de um “semivegetarianismo”.
De acordo com o Instituto Akatu, uma organização que realiza ações para sensibilização, mobilização e engajamento da sociedade para o consumo consciente, pontua que a carne bovina possui grande pegada de carbono, que se refere a quantidade de gases de efeito estufa emitida durante suas etapas de produção.
“Por isso, reduzir a quantidade de carne bovina no cardápio é uma contribuição importante para diminuir as emissões que causam o aquecimento global”, reforça o instituto.
Entretanto, embora seu impacto seja maior, isso não se aplica, necessariamente, apenas para a carne bovina, mas a práticas de suíno e avicultura, onde há demanda de muitos recursos hídricos, degradação do solo e geração de resíduos sólidos.
O que profissionais da saúde pensam?

Tayna é nutricionista e mestre pela Universidade Federal de São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal)
A nutricionista Tayna Miranda Arena, de 26 anos, realiza seus atendimentos nas cidades de Mairinque e São Roque, ambas no interior de São Paulo. Em seu cotidiano, recebe pacientes que desejam diminuir o consumo carnívoro, então recomenda pequenas trocas na rotina.
A carne, rica em proteínas, não é um alimento substituível, mas é possível realizar uma dieta com outras opções. “Temos grupos que podemos incluir, como as leguminosas, que são os feijões, lentilha, grão de bico, ervilha e soja, os lácteos, como queijos, leite e iogurte, além dos ovos, amendoim, castanha e alguns hortifrutis, como ora-pro-nóbis, brócolis e espinafre, que podem complementar a troca”, explica Tayna.
A profissional conta que a maior dificuldade no início é a variação e praticidade, pois muitas pessoas acabam consumindo somente os ovos e isso vai se tornando monótono, sendo que a prática de cozinhar acaba se tornando uma necessidade.
“Você pode deixar opções prontas como brócolis, ervilha, hambúrguer e/ou almôndegas de lentilha. Assim, é só descongelar na correria. Nos dias com mais tempo, prepare tortas que duram mais dias, com massa de grão-de-bico e recheio de ricota com espinafre, por exemplo. E, no dia a dia, use e abuse dos feijões e receitas com proteína de soja (que é vendida em diferentes tamanhos). É possível fazer desde um ‘picadinho’ ou estrogonofe, até uma ‘carne de panela’ com legumes”, aconselha.
Com base em sua experiência de atendimento até os dias atuais, Tayna acredita que, no futuro, o consumo de carne será cada vez menor: “Vem aumentando o número de pacientes que me procuram sem ter nenhuma motivação social, ambiental ou política para diminuir o consumo de carne, simplesmente não gostam, não se sentem bem comendo, se sentem ‘inchados’ ou então que atrapalha o intestino após a ingestão. Fora o número de crianças que já não aceitam carnes, pois recusam desde pequenas”.
A nutricionista também comenta sobre o impacto sustentável negativo em torno da fabricação, dizendo que “a produção da carne não é positiva para o meio ambiente, pois gera muito desmatamento e poluição”, além de mencionar alguns malefícios que o alimento pode causar no corpo humano:
“A proteína de origem animal, sobretudo a carne vermelha, gera uma dificuldade na digestão, onde é possível sentir um estufamento ou dificuldade para ir ao banheiro após o consumo, além de uma maior quantidade de gordura saturada, que pode ser levada a longo prazo com exageros a triglicérides, colesterol alto, ácido úrico e esteatose (gordura no fígado).”
E na prática? Funciona?

Gabriela Mezzalira adotou o flexitarianismo ao se mudar para Sorocaba (SP) e sofrer alterações em sua rotina
(Foto: Thamires Victória)
Existem casos em que pessoas tentam cortar 100% a carne de sua alimentação por algum outro princípio pessoal, como aconteceu com a Gabriela Mezzalira, de 21 anos, que havia adquirido práticas vegetarianas em 2017, aos seus 15 anos, depois de algumas falhas tentativas anteriores.
Sua vontade de se tornar vegetariana surgiu devido a grande presença da área rural em sua vida naquele período. “O que me fez mudar meus hábitos foi me conectar com os bichinhos que meus avós tinham na casa deles. Assim, quando voltei para minha própria casa, comecei a estudar e ir parando de consumir animais em minha alimentação”, conta.
No entanto, seis anos depois, em 2023, a jovem iniciou uma rotina com novos horários e atividades, o que a levou a repensar o consumo de carne pelo menos em alguns dias da semana, para obter mais energia em meio à correria do cotidiano:
“Me tornei vegetariana muito nova e com pouquíssima experiência de vida. Com o tempo, estudo e muito autoconhecimento, fui percebendo que me privar de comer certas coisas, nesta atual circunstância, não era o correto para o meu corpo, nem para minha cabeça.”
Atualmente, então, Gabriela adotou os hábitos do flexitarianismo, dando preferência, inclusive, para o frango. “Raramente consumo outros tipos de proteínas animais”, ela conta. A jovem ainda diz acreditar que se o conhecimento nutricional necessário chegasse a mais pessoas, elas podem aderir à proposta desse estilo de vida.
“O brasileiro, por exemplo, tem muito a cultura da ‘mistura’, e ela precisa, necessariamente, ser a proteína animal, mas se a informação de que ‘para se manter saciado não é necessário que seja exatamente essa proteína’ chegasse a todos, tenho certeza que muitos iriam adquirir o consumo consciente”, finaliza.

Sustentabilidade no futuro
Por Carlos Henrique
Sustentabilidade refere-se à capacidade de manter, preservar ou conservar um sistema ao longo do tempo. No contexto ambiental, social e econômico, isso implica a busca por práticas que atendam às necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas próprias necessidades.
Perguntada sobre a existência de algum programa de sustentabilidade na escola, a professora de moda Priscila Thibes Pizzol, que leciona no Senac, afirma: "Sim, temos um projeto de sustentabilidade chamado ecoeficiência". Ela também explica como funciona o programa: "A ecoeficiência deve ser vista como uma oportunidade de fazer negócios, abrir novos nichos de mercado e assumir responsabilidade empresarial pelo meio ambiente". Foi esse propósito que motivou o Senac São Paulo a aprovar, em 2002, o programa ecoeficiência, norteado pelo compromisso com o meio ambiente.
Ao ser questionada sobre as principais conquistas do programa, ela destaca: "O sistema de gestão ambiental, coleta seletiva de resíduos, coleta de óleo de cozinha, destinação de pilhas e baterias, coleta e destinação de lâmpadas fluorescentes, uso de papel branco certificado FSC, copos descartáveis, resíduos eletrônicos, bituca de cigarro e questões ambientais em destaque".
A professora também menciona que a unidade de Sorocaba do Senac possui o maior selo de ecoeficiência entre todas as unidades do estado de São Paulo. Ela destaca ainda que cada unidade do Senac conta com uma equipe de ecoeficiência, e ela faz parte da equipe de sustentabilidade.



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