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Itu investe em Central de Tratamento para um futuro sustentável

  • Foto do escritor: Gabriela Lago
    Gabriela Lago
  • 30 de nov. de 2023
  • 5 min de leitura

A Central já deve começar a receber os depósitos da cidade no final de 2023

Por Gabriela Lago


A cidade de Itu, no interior de São Paulo, conta com mais de 175 mil

habitantes e produz, em média, 5 mil toneladas de lixo por mês. Todo esse lixo é

disposto em dois aterros da cidade, um inerte (resíduos da construção civil e terra

de escavação) e um sanitário (resíduos domésticos e comerciais). Os aterros são

uma melhor opção em comparação aos lixões, pois são menos nocivos ao meio

ambiente, uma vez que são projetados para minimizar os impactos ambientais e

evitar a contaminação da água, solo e ar.


O chorume (resíduo com grande concentração de substâncias tóxicas e metais pesados), e os gases tóxicos produzidos com a decomposição do lixo não entram em contato com a natureza. Já os lixões, são espaços não controlados onde são despejados os resíduos, de forma com que o solo e a água são contaminados com os subprodutos do lixo, favorecendo a proliferação de animais como moscas, baratas e ratos, que

transmitem doenças à população. Uma fiscalização-surpresa realizada em junho de

2023 pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) em 267 cidades da

Região Metropolitana, do Litoral e do Interior revelou que, mesmo treze anos depois

da instituição da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), mais da metade

dos municípios (53,18%) visitados ainda mantém pontos de descarte irregular de

lixo. Um dos principais propósitos da PNRS é eliminar os lixões e estabelecer

normas para o gerenciamento dos resíduos gerados no país.


Embora mais de 70% das cidades brasileiras tenham implementado a coleta seletiva, apenas 30% da população separa resíduos secos e orgânicos em suas residências, conforme indicado por um estudo da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). Ainda conforme dados da Abrelpe, apenas 4% do

total de resíduos gerados no país passam por reciclagem ou são reaproveitados de

alguma forma.


CTR em 2023, na fase de implantação das mantas de plástico no aterro. Foto: Eppo


Pensando em uma maneira ainda melhor de tratar e reutilizar os resíduos,

além de reduzir o impacto ambiental, Itu está implantando na cidade uma Central de

Tratamento de Resíduos (CTR), que irá contribuir para a redução da quantidade de resíduos dispostos em aterro. A CTR é o lugar onde todos os tipos de resíduos encontram destinação final ambientalmente adequada. Neste local, será feito o

tratamento e disposição dos resíduos urbanos gerados em Itu, interrompendo o uso dos dois aterros ativos atualmente, promovendo seu reaproveitamento e agregando valor ambiental e econômico.


A implantação da Central conta com três fases distintas, com previsão de conclusão de todas elas em 2026. Ricardo Tosi, Engenheiro Agrônomo e Gerente de Operações na empresa “Eppo Saneamento Ambiental e Obras”, que é a responsável pela implantação da CTR em Itu, explica que a primeira fase já deve ficar pronta no final de 2023. “Essa

primeira fase, que já está sendo feita, tem como base a implantação do aterro. Nós

estamos fazendo as impermeabilizações com as mantas de plástico na base do

aterro, impedindo a infiltração do chorume gerado no solo, evitando que alcance os

lençóis freáticos”, explica Ricardo.


A segunda fase consiste na transformação dos resíduos em CDR (combustível derivado de resíduos), com a introdução de uma tecnologia que separa os resíduos úmidos dos secos. Por meio de um gaseificador, os resíduos secos serão transformados em CDR, que são combustíveis com alto poder calorífico, muito usados por indústrias cimenteiras e usinas de energia. Esse combustível será vendido para essas indústrias, resultando na geração de receita para a cidade. “Nós deixamos de aterrar um material que pode ser reciclado, e isso não quer dizer que ele vai voltar a ser utilizado da mesma maneira. Estamos falando somente do material que hoje já é colocado dentro do lixo, e não do material que vai para as cooperativas de reciclagem”, esclarece Ricardo.


Na terceira e última fase, será instalado um biodigestor, um equipamento usado para a aceleração do processo de decomposição anaeróbica (ausência de oxigênio) da matéria orgânica. Ricardo explica que, o gás gerado na decomposição dos resíduos, chamado biogás, passará pelo biodigestor, onde será capturado e tratado para se tornar adequado para uso. Depois desse tratamento, ele poderá ser utilizado como gás natural para abastecimento de veículos ou para outras finalidades. Através do uso de biodigestores, também é possível gerar energia elétrica. Além disso, existe a alternativa de transformar os resíduos do tratamento em produtos, como fertilizantes e blocos para pavimentação, que poderão ser vendidos, gerando lucro para Itu. “A nossa expectativa é de que seja aproveitado 80% do material que chega na CTR e que descarte no aterro somente 20%.


Então, além de gerar renda para a cidade com a venda dos subprodutos, a vida útil do

aterro acaba aumentando”, explica o gerente de operações da Eppo. Quando

houver o funcionamento efetivo de todas as três etapas, estima-se que menos de

um terço dos resíduos sólidos domiciliares produzidos em Itu precisarão ser

encaminhados ao aterro.


Na Central em Itu, resíduos de construção civil e hospitalares, que

atualmente são levados para outra cidade, também terão o tratamento correto, com

a descaracterização de contaminação e aterramento. O chorume, resultante da

decomposição dos resíduos, será bombeado de dentro do aterro e armazenado em

tanques, para posteriormente ser transportado e destinado ao local de tratamento.

Além disso, haverá no local uma barreira de proteção importante para reduzir

possíveis odores resultantes do processo de tratamento, bem como para evitar a

entrada de animais nas instalações.


Denominada de "Cinturão Verde", esta barreira é composta por árvores de reflorestamento plantadas ao redor da CTR. Além de cumprir sua função principal, o Cinturão Verde traz outros benefícios, como a melhoria da qualidade do ar, a preservação de recursos hídricos e do solo, a redução das temperaturas locais e a proteção do ecossistema.


Como será daqui há 20 anos


Renan Angrizani de Oliveira, coordenador do curso de Engenharia Ambiental

e presidente do Comitê de Sustentabilidade na Universidade de Sorocaba (Uniso),

diz que uma Central de Tratamento de Resíduos, que conta com um aterro sanitário,

é preferível do que o descarte de resíduos em lixões. “Hoje nós temos uma uma obra

de engenharia que segue todos os requisitos para que não haja contaminação do

solo e da água subterrânea, que são os aterros sanitários. Eles são muito, mas

muito melhores do que os lixões, por exemplo, que consiste em simplesmente jogar

lixo a céu aberto”, explica Renan.


Uma vantagem da CTR em comparação aos aterros comuns, é o retorno dos subprodutos gerados na decomposição dos resíduos para o ciclo de vida produtivo, como o CDR e o biogás, mas ainda assim, para o futuro, o uso de aterros não seria o ideal, pois a área utilizada ficaria contaminada devido aos metais pesados. “Daqui há 20 anos, esperamos que a gente dependa cada vez menos de aterros. Em uma utopia, se a gente conseguisse reaproveitar 99% dos resíduos, o 1% que sobra ainda é muita coisa.

Muitas vezes esse resíduo é contaminado, então o lugar mais seguro para descartar seria no aterro sanitário”, esclarece o coordenador do curso de Engenharia Ambiental da

Uniso.


Renan destaca que, ao longo dos anos, temos evoluído muito na questão da

sustentabilidade e descarte de lixo. Tem se tornado cada vez mais comum a

preocupação por parte da população, das empresas e do poder público, para que o

futuro seja um lugar melhor. “Políticas públicas vêm sendo implementadas para que

a gente consiga alcançar isso o mais rápido possível. Tanto que a gente encontra

cada vez menos o despejo de resíduos a céu aberto, e cada vez mais empresas

adotando políticas de remanufatura e recomercialização de um produto usado”, diz

Renan. Ele ainda diz que dependemos do esforço de toda a população para

minimizar os impactos ambientais e vivermos em um futuro melhor, com ações de

educação ambiental e economia circular cada vez mais presentes no dia a dia.


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