Mobilidade sustentável e o futuro do transporte urbano de Sorocaba
- Giulia Caroline

- 30 de nov. de 2023
- 5 min de leitura
Sorocaba inicia o processo de eletrificação da frota de ônibus, prometendo futuro em relação à mobilidade sustentável
Por: Giulia Caroline
No início do mês de agosto deste ano, a Prefeitura de Sorocaba e a Urbes - Trânsito e Transportes, entregaram três ônibus 100% elétricos para fazerem parte da frota de ônibus da cidade. A empresa Eletra Industrial é a fornecedora dos veículos elétricos e uma das parceiras da concessionária City Transportes nesse projeto ecológico.

Ônibus movido a bateria intitulado “EcoBus” que passou a fazer parte da frota fazendo a linha 100.
Impactos à saúde e ao meio ambiente devido à poluição atmosférica são cada vez mais recorrentes e os meios de transportes têm uma relação significativa.
A Lei n° 8.723/1993 é a lei que dispõe sobre a redução de emissão de poluentes por veículos automotores. Além disso, a Resolução Conama nº 03/1989 dispõe sobre níveis de emissão de aldeídos no gás e escapamento de veículos automotores.
Estudos demonstram que a exposição pessoal à poluição do ar é maior para a população que utiliza ônibus, devido à diversos fatores como viagens potencialmente mais demoradas, menor vedação em relação ao ambiente externo, em comparação aos carros e ao tempo em que é gasto esperando nos pontos de ônibus, respirando o ar contaminado das avenidas (CARVALHO et al., 2018). O uso de transporte público tende a predominar nos grupos mais vulneráveis da população, que não têm recursos para adquirir um veículo particular. Isto demonstra uma sobreposição das vulnerabilidades sociais e ambientais.
A estratégia de eletrificar o transporte público, ou seja, substituir os ônibus movidos a diesel pelos elétricos, é considerada uma das medidas mais essenciais para a busca da solução desses problemas. Ao não depender de combustíveis fósseis, a mobilidade elétrica representa a mobilidade do futuro. É o que se pode ver nos seus crescentes números de vendas.
Da mesma forma que o carro elétrico, o ônibus elétrico utiliza um motor movido a eletricidade. Ele pode ser abastecido por uma bateria ou por meio de uma fonte externa, como um cabo aéreo.
O especialista em trânsito, mobilidade e segurança Renato Campestrini, observa que há sim futuro nessa prática sustentável da prefeitura e da Urbes.
“O cenário deles é bastante promissor, a durabilidade/autonomia das baterias tem aumentado, algo que nos soa como o calcanhar de Aquiles dos veículos elétricos, o que em alguns casos pode até mesmo representar a necessidade de dobrar a frota para atender a necessidade de recarga, mas isso é algo que o tempo irá adequar, evoluir, assim como aconteceu com os celulares.”, declarou.
No entanto, como qualquer inovação tecnológica, existe um alto custo que pode vir a ser um empecilho. De acordo com um levantamento feito pelo Poder 360 no ano de 2022, a partir de dados da indústria e do setor de transportes, a eletrificação das frotas de ônibus em 18 capitais custaria quase R$37 bilhões em um ano.
Por outro lado, a economia com combustível seria de 73%. O custo por quilômetro, cairia de R$3,10 para R$0,84. O combustível responde por cerca de 1/3 dos custos operacionais totais das empresas de ônibus. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional, a eletrificação das frotas possibilita uma segurança energética, devido à maior estabilidade do setor elétrico em relação ao setor de petróleo.

Foto: Reprodução
O especialista diz acreditar que, apesar da aposta nos carros elétricos, o que deve vir com força no futuro da mobilidade das cidades são os veículos movidos a hidrogênio.
A diferença é que, um veículo elétrico a bateria é alimentado por eletricidade armazenada numa bateria, a qual é recarregada conectando-se à rede elétrica.
E um veículo elétrico de célula de combustível de hidrogênio produz a sua própria eletricidade através de uma reação química numa pilha de células de combustível. Essa eletricidade alimenta os motores das rodas e a única emissão é vapor de água. Os carros movidos a célula de combustível de hidrogênio são reabastecidos em estações de serviço específicas.
Um veículo a hidrogênio demora tanto tempo a ser reabastecido quanto um carro a gasolina ou diesel e pode ainda alcançar uma autonomia semelhante. Tudo isto com zero emissões.
A ideia ainda não é um sucesso comparada a dos carros elétricos, isso porque o hidrogênio vem com vários desafios de baixa eficiência a altos custos. Baixa eficiência devido a altas perdas de energia.
A maneira mais limpa de produzir hidrogênio é a eletrólise, que é o processo de usar eletricidade para dividir a molécula de água, ou seja, separar hidrogênio e oxigênio. Porém, consome muita energia e a eficiência está bem abaixo de 100%.
Ambas as tecnologias possuem suas vantagens e suas desvantagens e ainda não se sabe ao certo se haverá espaço para as duas no futuro da mobilidade e sustentabilidade das cidades.
Mobilidade sustentável
O conceito de mobilidade sustentável é o de transporte que tem como objetivo equilibrar as necessidades de deslocamento de pessoas e mercadorias com a importância da preservação ambiental, alinhando aspectos ecológicos com os interesses econômicos e sociais.
Por meio da mobilidade sustentável, é possível encontrar uma maneira eficaz de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e outros poluentes que contribuem para o aquecimento global. Além disso, pode contar com benefícios como melhora do fluxo das cidades, aumento da segurança, otimização do tempo, melhora da saúde e qualidade de vida.
Além da eletrificação do transporte urbano, nesse conceito também se destaca outras maneiras alternativas de transporte, como o ciclismo.
De acordo com Campestrini, a cidade de Sorocaba deveria incentivar mais essa prática como modo de transporte e não apenas lazer.
“A bicicleta é o veículo indicado para distâncias de até 8km, para pessoas até 55 anos, o que mostra sua viabilidade nesse processo. Não se trata de dizer que todos deveriam fazer uso desse modo de transporte, mas aqueles que tem essa possibilidade, seria algo interessante não só para a cidade, que ganharia com a qualidade do ar que respiramos, mas para a própria qualidade de vida daquele que pedala.
Segundo estudos internacionais, a cada dólar investido na malha cicloviária de uma cidade, 24 dólares retornam para a sociedade representados por ganhos na saúde pública e no meio ambiente.”

Parte da ciclovia localizada na cidade de Sorocaba. Foto: Prefeitura de Sorocaba
Entretanto, a adesão completa da ideia de mobilidade sustentável requer enfrentar alguns desafios como a mudança na infraestrutura das cidades, questões legais e burocráticas, pensamento político, entre outros.
A ideia é que autoridades responsáveis tenham as vantagens em mente para saber equilibrar as necessidades econômicas, sociais e sustentáveis para que os resultados sejam positivos para todos os lados.
Em relação ao futuro da mobilidade da cidade de Sorocaba, o especialista Renato Campestrini acredita que a tecnologia irá continuar mostrando seu papel de acordo com a evolução dos recursos.
“Imagino que por conta da tecnologia que avança a cada dia, teremos menor necessidade de realizar os deslocamentos atuais para trabalho, estudo ou lazer. A inteligência artificial deve possibilitar de uma forma mais intensa o uso de veículos autônomos, o uso de veículos compartilhados deve ganhar força, com o uso não da energia elétrica como matriz energética, mas penso que por questões mais práticas e de autonomia com o uso de células de hidrogênio. Talvez até lá o país tenha deixado de lado a chamada “carrodependência” e deixe de representar para as pessoas um símbolo de sucesso de ascensão social.”, disse.




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