Upcycling é o futuro?
- Rafaela Sallum

- 30 de nov. de 2023
- 3 min de leitura
Pequenos negócios à grandes marcas estão aderindo essa tendência de upcycling
Por: Rafaela Sallum
Pequenos negócios à grandes marcas estão aderindo essa tendência de upcycling. Essa nova tendência tende a crescer com o passar dos anos. Natalie Araújo, 23 anos, é aluna de moda da Universidade de Sorocaba, dona de um brechó e também membro da página Fashion Revolution Brasil.
Segundo Natalie, o upcycling surgiu como forma de reaproveitar peças e tecidos que não tinham saída nos brechós. Várias peças “garimpadas” por ela são a cara dos anos 2000, e muitas vezes repaginar a peça, faz com que ela volte a ter saída. Ela enxerga que sustentabilidade é o futuro e todos os seus trabalhos são baseados nisso. Grandes marcas estão buscando espaço nesse mercando e também se aderindo ao upcycling.
Na visão dela, existe uma linha tênue entre o capitalismo e o consumo sustentável. A partir do momento que existe uma alta demanda na produção de peças é o chamado fast fashion. Já o slow fashion é voltado para sustentabilidade e moda consciente. O conceito que a Fashion Revolution traz, inclusive, é quando as pessoas passam a se importar no que vestem e o impacto que terá no futuro. A primeira edição de upcycling de Natalie foi em 2021 e foi feito um editorial com peças customizadas por costureiras locais.
Ela tornou-se estudante embaixadora do Fashion Revolution há um ano e meio e é estudante embaixadora na rede Sorocaba. Esse ano também teve a Semana da Moda na Universidade de Sorocaba, Athon e Belas Artes que ocorreu nos dias 20 a 25 de abril fornecido pela Fashion Revolution devido a um incidente homenageando um grande edifício que desabou com pessoas que trabalhavam análogas a escravidão. Também aconteceram oficinas de upcycling, palestras voltadas ao tingimento feito à base de cera que é uma prática nigeriana.

Ilustração: Rafaela Sallum
Em Sorocaba acontecem feiras culturais como a Selvagem e a Feira de Arte Beco do Inferno. Nathalie vê nessa feira uma oportunidade para as pessoas sentirem as roupas e se sente realizada em ver o público consumindo suas criações e acha fascinante o fato de brechós serem únicos, valorizando a autenticidade das peças e contar uma história através da arte. Acredita que essas feiras só tendem a crescer em Sorocaba e acrescentar culturalmente na cidade, onde a cultura ainda é muito escassa. Nessas feiras também existe micro- empreendedores, na maioria das vezes mulheres e mães que produzem roupas de maneira consciente. Conclui dizendo que a feira e o Sesc são os principais meios culturais da cidade.
Questionada sobre a moda no futuro, admite que sustentabilidade é o futuro e pretende criar a sua marca em cima do seu brechó. “Cada vez mais a gente consegue ver o reaproveitamento na passarela”, assente. Ela acha interessante as pessoas estarem cada vez mais interessadas por brechós e reconhecerem a importância do reuso, pois está distante de ser brega, baixa classe social e sua loja atinge diversos públicos.
Natalie se sente realizada com a sua loja e ver depois de 7 anos de brechó o seu trabalhando alcançando cada vez mais pessoas. Hoje em dia ela possui fornecedores e também “garimpa” Sorocaba em busca de itens para curadoria. Finaliza dizendo que a moda se reinventa com o passar do tempo, mas a tendência se recicla, como, por exemplo, as sapatilhas, sandálias gladiadoras e todas as peças são ditadas pela passarela. (Rafaela Sallum)




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